Para atender a todos sem distinção de curso ou periodo o blog Geo2uneal mudou de nome. Vai se chamar Geune, inclusive todas as novas postagens estarão aqui: www.geune.blogspot.com e não mais no geo2uneal.blogspot.com. Favor atualizar seus favoritos. Entre a mudança de nomes aparecerão outras mudanças visiveis no decorrer do tempo, isso tudo para melhor fornecer informaçoes e conquistar novos leitores.
Muito Grato!
Márcio Pedro
quinta-feira, 5 de março de 2009
Gilberto Freyre - Sobrados e Mucambos (trechos).doc

O professor Edson me desafiou a encontra este livro e disponibilizar para vocês. Realmente é muito difícil, mas por hora está aí alguns capítulos do livro.
Descrição: Publicado em 1936, "Sobrados e Mucambos" avalia o declínio do patriarcado rural do século XIX. Enfrequecida pelo declínio da escravidão e pressionada pelas forças da modernidade que vem de fora, a aristocracia se vê obrigada a trocar a casa-grande pelos sobrados urbanos, enquanto seus ex-escravos saem das senzalas e instalam-se nos casebres de barro e palha dos bairros pobres das cidades.
Capítulos disponíveis:
CAPÍTULO I
O SENTIDO EM QUE SE MODIFICOU A PAISAGEM SOCIAL DO BRASIL PATRIARCAL DURANTE O SÉCULO XVIII E A PRIMEIRA METADE DO XIX
CAPÍTULO II
O ENGENHO E A PRAÇA; A CASA E A RUA
CAPÍTULO III
O PAI E O FILHO
CAPÍTULO IV
A MULHER E O HOMEM
CAPÍTULO V
O SOBRADO E O MUCAMBO
CAPÍTULO VI
AINDA O SOBRADO E O MUCAMBO
CAPÍTULO VII
O BRASILEIRO E O EUROPEU
CAPÍTULO VIII
RAÇA, CLASSE E REGIÃO
CAPÍTULO IX
O ORIENTE E O OCIDENTE
CAPÍTULO X
ESCRAVO, ANIMAL E MÁQUINA
CAPÍTULO XI
ASCENSÃO DO BACHAREL E DO MULATO
CAPÍTULO XII
EM TORNO DE UMA SISTEMÁTICA DA MISCIGENAÇÃO NO BRASIL PATRIARCAL E SEMIPATRIARCAL
Baixar aqui!
Márcio Pedro
Casa grande e senzala (Download)

Publicado em primeira edição em dezembro de 1933, Casa-grande & senzala, teve enorme repercussão junto ao público. Abordagens inovadoras da vida familiar, dos costumes públicos e privados, das mentalidades e das inter-relações étnicas revelaram um painel envolvente e instigante da formação brasileira no período colonial. Da arquitetura real e imaginária da casa-grande e dos fluxos e refluxos do cotidiano da família patriarcal, emergiram traços de convivência feita de intimidade e dominação entre senhores e escravos e entre brancos, negros e índios que marcaram para sempre a sociedade brasileira. Setenta anos e muitas edições depois, Casa-grande & senzala continua repercutindo. Menos por sua consagração como uma das obras fundamentais do pensamento brasileiro e mais porque o livro, como queria o autor, mantém-se vivo e contemporâneo.
Download do livro
segunda-feira, 2 de março de 2009
Os perigos do aquecimento local
Diferenças de temperatura das cidades, que podem chegar a 12ºC, concentram chuvas e prejudicam a saúde
Foto acima: DEBAIXO D'ÁGUA São Paulo, 23 de fevereiro: inundação tem a ver com ilhas de calor na cidade
As imagens da Avenida Nove de Julho, uma das principais de São Paulo, alagada na segundafeira 23, são um lembrete de que a natureza não perdoa deslizes de planejamento urbano em grandes cidades. As ilhas de calor - áreas densamente povoadas, com solo impermeabilizado e sem vegetação arbórea, como é o caso da Nove de Julho - contribuem para a formação de grandes e volumosas nuvens de chuva. Por isso, a inundação, em certa medida, é culpa do homem. E parte dessa culpa tem a ver com o desleixo com que se tem lidado com um importante fenômeno meteorológico: o aquecimento local.
Ele sempre foi responsável por pequenas variações de temperatura entre regiões de uma mesma cidade. Mas, com o aumento das intervenções humanas, viraram enormes. Em 2007, estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) observou, em setembro, recorde na diferença de temperatura entre bairros paulistanos: 12ºC, o dobro do já registrado em Nova York. Enquanto os termômetros do Centro marcavam 32ºC, os da Serra da Cantareira mostravam 20ºC. "Se continuarmos construindo prédios, pavimentando ruas e canalizando córregos indiscriminadamente, a tendência é de as mudanças climáticas transformarem São Paulo em um inferno", alerta Magda Lombardo, geógrafa da Unesp.
A maior variação ocorre entre março e setembro, quando chove menos e há mais poluição no ar. Vários fatores interferem nas temperaturas locais. Bairros arborizados e altos têm temperatura mais baixa e estável, enquanto regiões com o solo impermeabilizado por concreto e sem áreas verdes sofrem com temperaturas elevadas e instáveis. Outra variável importante é a poluição. "Ela absorve e mantém o calor emitido pela cidade pairando no ar", diz José Tadeu Garcia Tommaselli, professor de climatologia e hidrologia da Unesp. Para ele, uma forma de combater o problema é criar e preservar áreas verdes em toda zona urbana. "Temos de investir nisso por pelo menos 15 anos."
A cidade de Sacramento, na Califórnia, que em escala menor sofria com os mesmos problemas, conseguiu reverter o quadro em menos de uma década. "Eles investiram na distribuição da vegetação. Hoje 30% da área da cidade é verde e a temperatura média caiu em 2ºC", explica a geógrafa Magda. Assim, gastase menos com energia elétrica e com a saúde da população. "Diferenças bruscas de temperatura têm efeito direto sobre o sistema respiratório e favorecem infecções", diz Arnaldo Lichtenstein, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
EXTREMOS
Uma variação de 12ºC foi detectada em São Paulo em setembro de 2007. Enquanto os termômetros do Centro da cidade marcavam 32ºC, na Serra da Cantareira a temperatura não passava dos 20ºC
Fonte: Revista Istoé - 04/03/2009
Foto acima: DEBAIXO D'ÁGUA São Paulo, 23 de fevereiro: inundação tem a ver com ilhas de calor na cidadeAs imagens da Avenida Nove de Julho, uma das principais de São Paulo, alagada na segundafeira 23, são um lembrete de que a natureza não perdoa deslizes de planejamento urbano em grandes cidades. As ilhas de calor - áreas densamente povoadas, com solo impermeabilizado e sem vegetação arbórea, como é o caso da Nove de Julho - contribuem para a formação de grandes e volumosas nuvens de chuva. Por isso, a inundação, em certa medida, é culpa do homem. E parte dessa culpa tem a ver com o desleixo com que se tem lidado com um importante fenômeno meteorológico: o aquecimento local.
Ele sempre foi responsável por pequenas variações de temperatura entre regiões de uma mesma cidade. Mas, com o aumento das intervenções humanas, viraram enormes. Em 2007, estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) observou, em setembro, recorde na diferença de temperatura entre bairros paulistanos: 12ºC, o dobro do já registrado em Nova York. Enquanto os termômetros do Centro marcavam 32ºC, os da Serra da Cantareira mostravam 20ºC. "Se continuarmos construindo prédios, pavimentando ruas e canalizando córregos indiscriminadamente, a tendência é de as mudanças climáticas transformarem São Paulo em um inferno", alerta Magda Lombardo, geógrafa da Unesp.
A maior variação ocorre entre março e setembro, quando chove menos e há mais poluição no ar. Vários fatores interferem nas temperaturas locais. Bairros arborizados e altos têm temperatura mais baixa e estável, enquanto regiões com o solo impermeabilizado por concreto e sem áreas verdes sofrem com temperaturas elevadas e instáveis. Outra variável importante é a poluição. "Ela absorve e mantém o calor emitido pela cidade pairando no ar", diz José Tadeu Garcia Tommaselli, professor de climatologia e hidrologia da Unesp. Para ele, uma forma de combater o problema é criar e preservar áreas verdes em toda zona urbana. "Temos de investir nisso por pelo menos 15 anos."
A cidade de Sacramento, na Califórnia, que em escala menor sofria com os mesmos problemas, conseguiu reverter o quadro em menos de uma década. "Eles investiram na distribuição da vegetação. Hoje 30% da área da cidade é verde e a temperatura média caiu em 2ºC", explica a geógrafa Magda. Assim, gastase menos com energia elétrica e com a saúde da população. "Diferenças bruscas de temperatura têm efeito direto sobre o sistema respiratório e favorecem infecções", diz Arnaldo Lichtenstein, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
EXTREMOS
Uma variação de 12ºC foi detectada em São Paulo em setembro de 2007. Enquanto os termômetros do Centro da cidade marcavam 32ºC, na Serra da Cantareira a temperatura não passava dos 20ºC
Fonte: Revista Istoé - 04/03/2009
Brasil dos Excluídos - reportagem do programa Fantastico da rede Globo em 01/03/2009
Fantástico visita as cidades com os menores IDHs do país
Falta água, alimentos e empregos nas cidades.
Imagine viver num lugar onde a gasolina é mais cara do que na Europa. Onde um quilo de cenoura ou de tomate pode chegar a R$ 8. Onde existem crianças que nunca tomaram um banho de chuveiro.
Esses lugares ficam bem aqui no nosso país. Jordão e Tarauacá, no Acre; Manari, em Pernambuco; e Traipu, em Alagoas. É o Brasil dos excluídos, onde se encontram os menores índices de desenvolvimento humano do nosso país.
O Fantástico convida você a fazer conosco uma viagem pelo Brasil profundo que a população das grandes cidades não conhece.
No alto do morro fica Traipu, agreste de Alagoas, 25 mil habitantes. Logo ali embaixo corre o rio São Francisco.
Mas a água do rio é suja e não serve para essa população que espera na sombra pela chegada do caminhão-pipa.
"Sai muita confusão, muita gente briga pela água", revela uma mulher.
De repente, o caminhão-pipa chega. Umas mulheres ainda têm força pra brigar pela sua vez.
"Ei, bota nesse aqui!", pede uma jovem.
Outras parecem cansadas de guerra.
O que o caminhão do governo traz uma vez por semana não dá para todos. Água encanada por aqui ainda é promessa. Qualquer pouquinho é bem-vindo.
A 130 quilômetros dali fica a cidade de Manari, no sertão de Pernambuco, onde vivem pouco mais de 17 mil pessoas. Ali, água encanada só existe nas cobranças.
“Chega o papel da água, mas não chega água. Só chega a cobrança e nada da água”, reclama o desempregado José Aureliano da Silva Filho.
Em sete meses, José Aureliano já recebeu mais de R$ 100 em contas de uma água que nunca viu.
“A gente fala para eles, eles falam que vão ajeitar para chegar a água pra cá. Como é que a gente vai pagar uma coisa que não consome? Aí não tem condições. Eu tenho que ir até na cisterna do hospital ali, e pego água. Venho e trago, boto no pote. Encho o pote ali. É como a gente sobrevive”, explica José.
Os filhos de Maria Rodrigues nunca tomaram um banho de chuveiro na vida.
"Nós tomamos banho de balde, e banheiro não tem. Quando a pessoa quer fazer as necessidades vai para o mato”, conta a dona-de-casa Maria Rodrigues.
Dona Maria jamais teve um emprego.
Fantástico: É difícil arrumar emprego aqui?
Maria: Vige. Aqui não existe isso para pobre, não.
José e Adelma também são desempregados, como quase todos em Manari. Vivem com o dinheiro de benefícios do governo e ajuda de parentes.
“A mãe dele nos ajuda um pouco. Se não fosse isso, a gente passava necessidade”, diz a desempregada Adelma da Silva.
Na língua indígena tupi 'amanari' quer dizer água da chuva.
Não é à toa que a cidade fica tão alegre quando chove.
A população aproveita para encher os baldes. Tomar banho. E a criançada brinca nos barris e caixas d'água.
No outro extremo do país, mais de três mil quilômetros a oeste dali, encontramos Jordão, estado do Acre. Um dos lugares mais remotos do Brasil. Cerca de 6.300 pessoas vivem lá.
“Isso aqui é o fim do mundo. Foi onde o vento fez a curva. O pessoal até fala um ditado 'onde o sabão não lava'", brinca o comerciante Dionísio de Farias.
Jordão fica a uma semana de barco de Tarauacá, também no Acre, município do qual depende para abastecimento.
O barqueiro Radamés Lopes acabou de voltar de lá, onde foi comprar material de construção.
'”Levei sete dias para vir de Tarauacá até aqui", conta o barqueiro.
Fantástico: Sete dias naquele barco? Como é que é essa viagem?
Radamés: A viagem é difícil. Você sai às 5h. Encosta de noite muitas vezes. Dorme dentro do barco, bebe a água do rio mesmo.
O isolamento é tamanho que muitas pessoas jamais viram um chuchu, por exemplo.
“Se você perguntar aqui na cidade, de cem pessoas, duas ou três vão saber o que é chuchu", diz Dionísio.
“Chuchu é luxo e não existe”, diz o vice-prefeito.
"Aqui, se falar em chuchu, a pessoa pensa que você está chamando alguém de bonitinho. Não sabem o que é chuchu aqui”, explica o comerciante Dionísio.
Traipu, Jordão e Manari são as três últimas colocadas na classificação do IDH dos municípios brasileiros. IDH é o Índice de Desenvolvimento Humano, medida criada pela Organização das Nações Unidas para avaliar a qualidade de vida no mundo. O cálculo do IDH leva em consideração três fatores básicos: expectativa de vida, nível de educação e a renda da população.
Todos eles quesitos em que as três cidades tiram notas muito baixas.
A última colocada de todas é Manari, campeã brasileira da mortalidade infantil e segunda menor renda per capita do país. Lá, as poucas pessoas que têm emprego ganham menos de um décimo do salário-mínimo determinado pela Constituição.
Fantástico: Você trabalha?
Maria Charliana da Silva, doméstica: Trabalho.
Fantástico: Que tipo de trabalho?
Maria: Em casa de família.
Fantástico: Quanto você ganha por mês?
Maria: R$ 40.
Fantástico: A senhora trabalha todo dia?
Maria: Todo dia. É o único emprego que tem para a pessoa trabalhar aqui. Não tem outra coisa para a pessoa trabalhar por aqui. Tem que ser isso mesmo.
Fantástico: A senhora tem bolsa-família? Quanto a senhora recebe?
Maria: R$ 82.
Jane da Silva nasceu em São Paulo e foi morar em Manari em 2001. Ela trabalha na prefeitura.
“Eu tenho uma empregada na minha casa e eu pago R$ 40 para ela por mês. Ela não lava, não faz a comida, mas limpa todos os dias a minha casa. E em junho do ano passado, eu fui para São Paulo, passei dois meses lá. Para não ficar sem fazer nada, eu tenho um primo meu lá que estava sem empregada, e eu fui ficar na casa dele, para não deixar ele na mão com a família. Ele me pagava R$ 50 o dia. Eram três vezes por semana. A diferença é essa: R$ 40 ao mês e 50 ao dia. As pessoas daqui ganham de R$ 30 a R$ 60. Mais do que isso não ganha”, explica Jane.
Salários maiores, só para quem presta concurso público e trabalha na prefeitura. Como 86% dos habitantes de Manari sabem escrever apenas o próprio nome, muitos acabam procurando uma alternativa.
“Todas essas pessoas são agricultores. E sendo agricultor, a lei permite a ele um abono do governo federal de auxilio maternidade em torno de R$ 1500. Então, uma das razões de ter muita criança aqui - na minha concepção - é por receber R$ 1500. Por isso que tem muita criança em Manari", explica Osvaldo Pita, secretário de Saúde.
“Ela mesma, minha esposa, quando está com oito meses de gravidez, já está programando o que vai comprar. São R$ 1500, onde ninguém ganha um dinheiro desse nem no decorrer de um ano. Então, o que acontece? Ele vai programar comprar uma vaca, comprar um aparelho de garrote ou dar uma arrumada na casa, comprar antena parabólica e fogão ”, conta o agricultor Cícero Vieira dos Santos.
“Eu tenho uma paciente aqui que ela teve 20 crianças, aliás, 21 crianças. E eu me bati muito com essa pessoa para que ela fizesse uma cirurgia, uma laqueadura para não ter mais crianças. E com muito trabalho eu consegui com que ela fizesse essa cirurgia. Ela me disse uma coisa interessante: 'Seu Osvaldo, eu me arrependi dessa cirurgia’. Eu disse: ‘Por que? Você não está se dando bem?’ Ela disse: 'não, porque eu deixei de receber meu dinheirinho todo mês, todo ano’”, conta o secretário.
Nesta época do ano é inverno em Jordão e Tarauacá. No inverno, a estrada que liga Tarauacá à capital, Rio Branco, fica impraticável. O motorista Edson Ferreira atravessou os 446 quilômetros da estrada recentemente. Levou 50 dias.
Repórter: Numa estrada boa em quanto tempo você faria essa viagem?
Edson: Eu faria em seis horas. E pela primeira vez que nós fomos, quando nós conseguimos voltar, pegamos a estrada meio ruim e gastamos um mês e 20 dias de viagem.
Sem a estrada, durante os meses do inverno, o abastecimento fica ainda mais comprometido. Produtos frescos só chegam de avião. E chegam muito caros.
"Você que quer encontrar verduras, frutas e legumes novinhos, frescos, que acabaram de chegar no voo das 11 horas, direto de Rio Branco?”, anuncia um vendedor.
“Quando se chega no Jordão - às vezes que chega quando um comerciante resolve trazer - é R$ 6 um quilo. Tanto faz ser da cenoura, da beterraba, do tomate. É R$ 6 a R$ 8. Normalmente é R$ 8. E às vezes, como hoje, não tem isso município", conta Elson Farias, vice-prefeito.
Até os comerciantes reclamam dos preços que cobram.
"Eu cobro R$ 2 por duas tangerinas. E daria muito mais que dois reais se eu pesar porque o quilo custa R$ 7. Vou por na balança: 400g dá R$ 2,87. Eu acho caro; caríssimo. Eu me sinto ofendido. Mesmo sendo comerciante. Estou ganhando meu dinheiro com isso, mas não gosto de fazer isso. Mas é o jeito. ”, avisa o Carlos Wagner da Silva,
Dona Maria Luciléia Oliveira é professora. Vive às voltas com o preço dos alimentos.
“A dúzia de ovos custa R$ 5. Só comprava ovos quem tinha condições mesmo e para comer. Para fazer bolo ninguém fazia não. E tudo é sacrificoso. Filé de peito de frango então nem se fala. De primeira era R$ 18 o quilo. E quem que ia comprar um quilo para dar de comer a 10 pessoas? Ia pegar cada um uma isca. Não tinha condições”, conta Maria Luciléia.
O preço médio do litro de gasolina na Inglaterra equivale a R$ 3,10. Em Jordão custa bem mais que isso: R$ 4,30.
Fantástico: Quanto você vai pagar por isso?
Cliente: R$ 8,60. É muito caro.
Fantástico: E pra que é essa gasolina?
Cliente: É pra subir na aldeia. Para usar no motor de barco.
Como é que faz para o taxista trabalhar com esse preço da gasolina?
“Rapaz, é o jeito que tem. A gente se adapta ao sistema”, diz o taxista Manuel Gomes.
O transporte aéreo é ilegal. A pista de pouso de Jordão não é homologada pela Anac, Agência Nacional de Aviação Civil.
“Acontece que nós moramos numa região dificultosa. Primeiramente, essa pista nem existe nos registros da Anac. Você vem para cá fazendo notificação de voo e plano de voo para outras cidades. Você faz Freijó e vem parar em Jordão. Essa pista não existe. Para a Anac, ela não existe, mas todo mundo sabe que opera aqui.", diz o piloto Leandro Santos.
Jordão, segundo pior IDH do país, é campeã nacional de crianças fora da escola. E com um custo de vida tão alto, tem a quarta pior renda per capita de todo o Brasil.
Na zona rural de Traipu, dona Noêmia Cordeiro de Melo bem que gostaria de ter água limpa para cozinhar.
“O arroz, que é branquinho, fica com aquela nata amarela em cima porque a água não é limpa", explica.
A terra é tão seca que nada cresce.
“É seco, não planta nada, Não dá para tirar nada da terra. Nada, nada, nada. A vida de todo mundo aqui ao redor é essa, de todo mundo. Hoje o que eu tenho para os meus filhos só é isso aqui. Mais nada. Feijão com farinha. Eles vão comer esse feijão ao meio-dia com farinha. Agora, de noite, eu faço um pouquinho de arroz e a gente come com feijão. Arroz só uma vez por dia e o feijão é duas vezes”, lamenta Dona Noêmia.
Dona Noêmia recebe o benefício bolsa-família, e, com ele, consegue fazer uma vontade da filha.
“Caldo de galinha, minha filha gosta. Ela pede para comprar. Ela mesma quem faz. Bota água para ferver, aí bota isso aqui dentro, quando desmancha, ela bota o arrozinho dela e come ela e os irmãos. O maior sonho dela é ter uma boneca que chora. Mas eu não posso dar. Eles brincam ali no juazeiro com pau, tampa de garrafa. É a brincadeira deles, eles não têm brinquedo para brincar porque eu não posso dar. O meu marido estava aqui, mas porque não suportou a vida da gente e foi-se embora. Está em São Paulo. Deve estar trabalhando, eu não sei. Não, mandou R$ 1 ainda. Ele foi no final do ano. E eu fiquei aqui mais meus filhos, e seja o que Deus quiser”, revela.
No Brasil dos excluídos, onde meninos ainda brincam de pião e crianças cuidam de crianças, há quem confie nos rezadores para tratar da saúde.
"Em nome de Jesus eu te curo, em nome do Espírito Santo. Dor de cabeça, dor ciático, sol, constipação e dor ciática. Em nome de Jesus te curo”, diz o rezador.
Fantástico: Como a senhora se sente?
Mulher: Me sinto bem. Melhor da dor de cabeça.
Fantástico: É normal aqui na região?
Mulher: É, tem muito rezador.
Fantástico: É melhor que remédio?
Mulher: Às vezes é.
Quem mora no Brasil dos excluídos e enfrenta uma fila do leite que muitas vezes não dá para todos só quer uma coisa da vida.
“Eu não quero que os meus filhos sejam analfabetos que nem que eu sou analfabeto. Eu digo por mim, porque se eu fosse, tivesse leitura hoje, não via um sofrimento desse. Vivia não. Que a mãozinha está cheia de calo, toda doída”, diz o agricultor João Vicente da Silva.
E a vida apenas segue.
Fantástico: Como sustenta a família de oito filhos e a esposa?
João Vicente: Vai tapeando. É o que o cara usa, o que o cara guarda. Feijão, farinha, milho e vai vivendo. Não é uma vidona de beleza, mas dá para tapear.
"Feliz do pobre quando tem a farinha, o arroz e o feijão. Essas três coisas são essenciais para o pobre. Quando não tem, come angu d'água, farinha d'água. Que é a água, o sal e o óleo. Jacuba, que chama. É ruim, é ruim comer jacuba, mas é o jeito”, conta a professora Maria Luciléia.
“Aqui é sofrimento triste. Vocês que vivem num lugar que tem água, que tem recurso, que tem tudo, tudo bem. Mas quantas vezes eu tive vontade de vender minha casa para ir para um lugar que tivesse água, um lugarzinho mais ajeitadinho, que tivesse um serviço para a gente. Porque a gente tem 70 anos, mas ninguém é morto, não. A gente ainda faz alguma coisa”, desabafa Aurelina da Conceição, de 70 anos.
Assista o video aqui!
Falta água, alimentos e empregos nas cidades.
Imagine viver num lugar onde a gasolina é mais cara do que na Europa. Onde um quilo de cenoura ou de tomate pode chegar a R$ 8. Onde existem crianças que nunca tomaram um banho de chuveiro.
Esses lugares ficam bem aqui no nosso país. Jordão e Tarauacá, no Acre; Manari, em Pernambuco; e Traipu, em Alagoas. É o Brasil dos excluídos, onde se encontram os menores índices de desenvolvimento humano do nosso país.
O Fantástico convida você a fazer conosco uma viagem pelo Brasil profundo que a população das grandes cidades não conhece.
No alto do morro fica Traipu, agreste de Alagoas, 25 mil habitantes. Logo ali embaixo corre o rio São Francisco.
Mas a água do rio é suja e não serve para essa população que espera na sombra pela chegada do caminhão-pipa.
"Sai muita confusão, muita gente briga pela água", revela uma mulher.
De repente, o caminhão-pipa chega. Umas mulheres ainda têm força pra brigar pela sua vez.
"Ei, bota nesse aqui!", pede uma jovem.
Outras parecem cansadas de guerra.
O que o caminhão do governo traz uma vez por semana não dá para todos. Água encanada por aqui ainda é promessa. Qualquer pouquinho é bem-vindo.
A 130 quilômetros dali fica a cidade de Manari, no sertão de Pernambuco, onde vivem pouco mais de 17 mil pessoas. Ali, água encanada só existe nas cobranças.
“Chega o papel da água, mas não chega água. Só chega a cobrança e nada da água”, reclama o desempregado José Aureliano da Silva Filho.
Em sete meses, José Aureliano já recebeu mais de R$ 100 em contas de uma água que nunca viu.
“A gente fala para eles, eles falam que vão ajeitar para chegar a água pra cá. Como é que a gente vai pagar uma coisa que não consome? Aí não tem condições. Eu tenho que ir até na cisterna do hospital ali, e pego água. Venho e trago, boto no pote. Encho o pote ali. É como a gente sobrevive”, explica José.
Os filhos de Maria Rodrigues nunca tomaram um banho de chuveiro na vida.
"Nós tomamos banho de balde, e banheiro não tem. Quando a pessoa quer fazer as necessidades vai para o mato”, conta a dona-de-casa Maria Rodrigues.
Dona Maria jamais teve um emprego.
Fantástico: É difícil arrumar emprego aqui?
Maria: Vige. Aqui não existe isso para pobre, não.
José e Adelma também são desempregados, como quase todos em Manari. Vivem com o dinheiro de benefícios do governo e ajuda de parentes.
“A mãe dele nos ajuda um pouco. Se não fosse isso, a gente passava necessidade”, diz a desempregada Adelma da Silva.
Na língua indígena tupi 'amanari' quer dizer água da chuva.
Não é à toa que a cidade fica tão alegre quando chove.
A população aproveita para encher os baldes. Tomar banho. E a criançada brinca nos barris e caixas d'água.
No outro extremo do país, mais de três mil quilômetros a oeste dali, encontramos Jordão, estado do Acre. Um dos lugares mais remotos do Brasil. Cerca de 6.300 pessoas vivem lá.
“Isso aqui é o fim do mundo. Foi onde o vento fez a curva. O pessoal até fala um ditado 'onde o sabão não lava'", brinca o comerciante Dionísio de Farias.
Jordão fica a uma semana de barco de Tarauacá, também no Acre, município do qual depende para abastecimento.
O barqueiro Radamés Lopes acabou de voltar de lá, onde foi comprar material de construção.
'”Levei sete dias para vir de Tarauacá até aqui", conta o barqueiro.
Fantástico: Sete dias naquele barco? Como é que é essa viagem?
Radamés: A viagem é difícil. Você sai às 5h. Encosta de noite muitas vezes. Dorme dentro do barco, bebe a água do rio mesmo.
O isolamento é tamanho que muitas pessoas jamais viram um chuchu, por exemplo.
“Se você perguntar aqui na cidade, de cem pessoas, duas ou três vão saber o que é chuchu", diz Dionísio.
“Chuchu é luxo e não existe”, diz o vice-prefeito.
"Aqui, se falar em chuchu, a pessoa pensa que você está chamando alguém de bonitinho. Não sabem o que é chuchu aqui”, explica o comerciante Dionísio.
Traipu, Jordão e Manari são as três últimas colocadas na classificação do IDH dos municípios brasileiros. IDH é o Índice de Desenvolvimento Humano, medida criada pela Organização das Nações Unidas para avaliar a qualidade de vida no mundo. O cálculo do IDH leva em consideração três fatores básicos: expectativa de vida, nível de educação e a renda da população.
Todos eles quesitos em que as três cidades tiram notas muito baixas.
A última colocada de todas é Manari, campeã brasileira da mortalidade infantil e segunda menor renda per capita do país. Lá, as poucas pessoas que têm emprego ganham menos de um décimo do salário-mínimo determinado pela Constituição.
Fantástico: Você trabalha?
Maria Charliana da Silva, doméstica: Trabalho.
Fantástico: Que tipo de trabalho?
Maria: Em casa de família.
Fantástico: Quanto você ganha por mês?
Maria: R$ 40.
Fantástico: A senhora trabalha todo dia?
Maria: Todo dia. É o único emprego que tem para a pessoa trabalhar aqui. Não tem outra coisa para a pessoa trabalhar por aqui. Tem que ser isso mesmo.
Fantástico: A senhora tem bolsa-família? Quanto a senhora recebe?
Maria: R$ 82.
Jane da Silva nasceu em São Paulo e foi morar em Manari em 2001. Ela trabalha na prefeitura.
“Eu tenho uma empregada na minha casa e eu pago R$ 40 para ela por mês. Ela não lava, não faz a comida, mas limpa todos os dias a minha casa. E em junho do ano passado, eu fui para São Paulo, passei dois meses lá. Para não ficar sem fazer nada, eu tenho um primo meu lá que estava sem empregada, e eu fui ficar na casa dele, para não deixar ele na mão com a família. Ele me pagava R$ 50 o dia. Eram três vezes por semana. A diferença é essa: R$ 40 ao mês e 50 ao dia. As pessoas daqui ganham de R$ 30 a R$ 60. Mais do que isso não ganha”, explica Jane.
Salários maiores, só para quem presta concurso público e trabalha na prefeitura. Como 86% dos habitantes de Manari sabem escrever apenas o próprio nome, muitos acabam procurando uma alternativa.
“Todas essas pessoas são agricultores. E sendo agricultor, a lei permite a ele um abono do governo federal de auxilio maternidade em torno de R$ 1500. Então, uma das razões de ter muita criança aqui - na minha concepção - é por receber R$ 1500. Por isso que tem muita criança em Manari", explica Osvaldo Pita, secretário de Saúde.
“Ela mesma, minha esposa, quando está com oito meses de gravidez, já está programando o que vai comprar. São R$ 1500, onde ninguém ganha um dinheiro desse nem no decorrer de um ano. Então, o que acontece? Ele vai programar comprar uma vaca, comprar um aparelho de garrote ou dar uma arrumada na casa, comprar antena parabólica e fogão ”, conta o agricultor Cícero Vieira dos Santos.
“Eu tenho uma paciente aqui que ela teve 20 crianças, aliás, 21 crianças. E eu me bati muito com essa pessoa para que ela fizesse uma cirurgia, uma laqueadura para não ter mais crianças. E com muito trabalho eu consegui com que ela fizesse essa cirurgia. Ela me disse uma coisa interessante: 'Seu Osvaldo, eu me arrependi dessa cirurgia’. Eu disse: ‘Por que? Você não está se dando bem?’ Ela disse: 'não, porque eu deixei de receber meu dinheirinho todo mês, todo ano’”, conta o secretário.
Nesta época do ano é inverno em Jordão e Tarauacá. No inverno, a estrada que liga Tarauacá à capital, Rio Branco, fica impraticável. O motorista Edson Ferreira atravessou os 446 quilômetros da estrada recentemente. Levou 50 dias.
Repórter: Numa estrada boa em quanto tempo você faria essa viagem?
Edson: Eu faria em seis horas. E pela primeira vez que nós fomos, quando nós conseguimos voltar, pegamos a estrada meio ruim e gastamos um mês e 20 dias de viagem.
Sem a estrada, durante os meses do inverno, o abastecimento fica ainda mais comprometido. Produtos frescos só chegam de avião. E chegam muito caros.
"Você que quer encontrar verduras, frutas e legumes novinhos, frescos, que acabaram de chegar no voo das 11 horas, direto de Rio Branco?”, anuncia um vendedor.
“Quando se chega no Jordão - às vezes que chega quando um comerciante resolve trazer - é R$ 6 um quilo. Tanto faz ser da cenoura, da beterraba, do tomate. É R$ 6 a R$ 8. Normalmente é R$ 8. E às vezes, como hoje, não tem isso município", conta Elson Farias, vice-prefeito.
Até os comerciantes reclamam dos preços que cobram.
"Eu cobro R$ 2 por duas tangerinas. E daria muito mais que dois reais se eu pesar porque o quilo custa R$ 7. Vou por na balança: 400g dá R$ 2,87. Eu acho caro; caríssimo. Eu me sinto ofendido. Mesmo sendo comerciante. Estou ganhando meu dinheiro com isso, mas não gosto de fazer isso. Mas é o jeito. ”, avisa o Carlos Wagner da Silva,
Dona Maria Luciléia Oliveira é professora. Vive às voltas com o preço dos alimentos.
“A dúzia de ovos custa R$ 5. Só comprava ovos quem tinha condições mesmo e para comer. Para fazer bolo ninguém fazia não. E tudo é sacrificoso. Filé de peito de frango então nem se fala. De primeira era R$ 18 o quilo. E quem que ia comprar um quilo para dar de comer a 10 pessoas? Ia pegar cada um uma isca. Não tinha condições”, conta Maria Luciléia.
O preço médio do litro de gasolina na Inglaterra equivale a R$ 3,10. Em Jordão custa bem mais que isso: R$ 4,30.
Fantástico: Quanto você vai pagar por isso?
Cliente: R$ 8,60. É muito caro.
Fantástico: E pra que é essa gasolina?
Cliente: É pra subir na aldeia. Para usar no motor de barco.
Como é que faz para o taxista trabalhar com esse preço da gasolina?
“Rapaz, é o jeito que tem. A gente se adapta ao sistema”, diz o taxista Manuel Gomes.
O transporte aéreo é ilegal. A pista de pouso de Jordão não é homologada pela Anac, Agência Nacional de Aviação Civil.
“Acontece que nós moramos numa região dificultosa. Primeiramente, essa pista nem existe nos registros da Anac. Você vem para cá fazendo notificação de voo e plano de voo para outras cidades. Você faz Freijó e vem parar em Jordão. Essa pista não existe. Para a Anac, ela não existe, mas todo mundo sabe que opera aqui.", diz o piloto Leandro Santos.
Jordão, segundo pior IDH do país, é campeã nacional de crianças fora da escola. E com um custo de vida tão alto, tem a quarta pior renda per capita de todo o Brasil.
Na zona rural de Traipu, dona Noêmia Cordeiro de Melo bem que gostaria de ter água limpa para cozinhar.
“O arroz, que é branquinho, fica com aquela nata amarela em cima porque a água não é limpa", explica.
A terra é tão seca que nada cresce.
“É seco, não planta nada, Não dá para tirar nada da terra. Nada, nada, nada. A vida de todo mundo aqui ao redor é essa, de todo mundo. Hoje o que eu tenho para os meus filhos só é isso aqui. Mais nada. Feijão com farinha. Eles vão comer esse feijão ao meio-dia com farinha. Agora, de noite, eu faço um pouquinho de arroz e a gente come com feijão. Arroz só uma vez por dia e o feijão é duas vezes”, lamenta Dona Noêmia.
Dona Noêmia recebe o benefício bolsa-família, e, com ele, consegue fazer uma vontade da filha.
“Caldo de galinha, minha filha gosta. Ela pede para comprar. Ela mesma quem faz. Bota água para ferver, aí bota isso aqui dentro, quando desmancha, ela bota o arrozinho dela e come ela e os irmãos. O maior sonho dela é ter uma boneca que chora. Mas eu não posso dar. Eles brincam ali no juazeiro com pau, tampa de garrafa. É a brincadeira deles, eles não têm brinquedo para brincar porque eu não posso dar. O meu marido estava aqui, mas porque não suportou a vida da gente e foi-se embora. Está em São Paulo. Deve estar trabalhando, eu não sei. Não, mandou R$ 1 ainda. Ele foi no final do ano. E eu fiquei aqui mais meus filhos, e seja o que Deus quiser”, revela.
No Brasil dos excluídos, onde meninos ainda brincam de pião e crianças cuidam de crianças, há quem confie nos rezadores para tratar da saúde.
"Em nome de Jesus eu te curo, em nome do Espírito Santo. Dor de cabeça, dor ciático, sol, constipação e dor ciática. Em nome de Jesus te curo”, diz o rezador.
Fantástico: Como a senhora se sente?
Mulher: Me sinto bem. Melhor da dor de cabeça.
Fantástico: É normal aqui na região?
Mulher: É, tem muito rezador.
Fantástico: É melhor que remédio?
Mulher: Às vezes é.
Quem mora no Brasil dos excluídos e enfrenta uma fila do leite que muitas vezes não dá para todos só quer uma coisa da vida.
“Eu não quero que os meus filhos sejam analfabetos que nem que eu sou analfabeto. Eu digo por mim, porque se eu fosse, tivesse leitura hoje, não via um sofrimento desse. Vivia não. Que a mãozinha está cheia de calo, toda doída”, diz o agricultor João Vicente da Silva.
E a vida apenas segue.
Fantástico: Como sustenta a família de oito filhos e a esposa?
João Vicente: Vai tapeando. É o que o cara usa, o que o cara guarda. Feijão, farinha, milho e vai vivendo. Não é uma vidona de beleza, mas dá para tapear.
"Feliz do pobre quando tem a farinha, o arroz e o feijão. Essas três coisas são essenciais para o pobre. Quando não tem, come angu d'água, farinha d'água. Que é a água, o sal e o óleo. Jacuba, que chama. É ruim, é ruim comer jacuba, mas é o jeito”, conta a professora Maria Luciléia.
“Aqui é sofrimento triste. Vocês que vivem num lugar que tem água, que tem recurso, que tem tudo, tudo bem. Mas quantas vezes eu tive vontade de vender minha casa para ir para um lugar que tivesse água, um lugarzinho mais ajeitadinho, que tivesse um serviço para a gente. Porque a gente tem 70 anos, mas ninguém é morto, não. A gente ainda faz alguma coisa”, desabafa Aurelina da Conceição, de 70 anos.
Assista o video aqui!
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Livros citados pelo prof.Edson exclusivos para baixar somente aqui no Geo2uneal
O que faz o Brasil, Brasil?

Um dos livros apresentados como sugestão de leitura logo no começo do curso é “O que faz o brasil, Brasil?”, de Roberto DaMatta, um dos mais renomados antropólogos do Brasil. É um dos poucos livros de antropologia social com uma linguagem mais agradável que eu tive o prazer de tirar cópia (vida de estudante é osso).
Nele, DaMatta analisa alguns aspectos da sociedade brasileira e de duas representações sociais. É um ensaio sobre como o brasileiro se transforma em brasileiro. Bem interessante para quem trabalha com comunicação, em qualquer aspecto.
É importante entender o Brasil “(…)da comida, da mulher, da religião que não precisa de teologia complicada nem de padres estudados. Das leis da amizade e do parentesco, que atuam pelas lágrimas, pelas emoções do dar e do receber, e dentro das sombras acolhedoras das casas e quartos onde vivemos o nosso quotidiano. Dos jogos espertos e vivos da malandragem e do carnaval, onde podemos vadiar sem sermos criminosos e, assim fazendo, experimentamos a sublime marginalidade que tem hora para começar e terminar.“.
Indico a leitura para quem quer aprender um pouco mais da cultura brasileira, mas de uma maneira um pouco menos “tecnicista” do que nas ciências voltadas para a administração. O livro é interessante e de leitura muito fácil.
Baixe o livro aqui!
O que Faz o Brasil, Brasil?
-------------------------------------------------------------------------------------------------

Visão do Paraíso
"Visão do paraíso. Os motivos edênicos no descobrimento e colonização do Brasil" é um livro do historiador brasileiro Sérgio Buarque de Holanda.
Visão do paraíso aborda e analisa os mitos edênicos aos quais recorreram grande parte das das narrativas acerca do descobrimento e colonização da América, escritas entre o final do século XV e o século XVIII.[1] Os motivos edênicos investigados por Sérgio Buarque de Holanda eram representações coletivas nas quais se associava o continente americano ao bíblico Jardim do Éden.
Visão do paraíso é um dos mais significativos e eruditos textos da historiografia brasileira. É um trabalho que se pode classificar como representativo da corrente historiográfica chamada história das mentalidades.
Publicado em 1959, pela Editora José Olympio, o texto originou-se da tese elaborada pelo autor em 1958 no contexto do concurso que o conduzira à cátedra de História da Civilização Brasileira da Universidade de São Paulo.
Baixe o Livro aqui!
Visão do Paraíso

Um dos livros apresentados como sugestão de leitura logo no começo do curso é “O que faz o brasil, Brasil?”, de Roberto DaMatta, um dos mais renomados antropólogos do Brasil. É um dos poucos livros de antropologia social com uma linguagem mais agradável que eu tive o prazer de tirar cópia (vida de estudante é osso).
Nele, DaMatta analisa alguns aspectos da sociedade brasileira e de duas representações sociais. É um ensaio sobre como o brasileiro se transforma em brasileiro. Bem interessante para quem trabalha com comunicação, em qualquer aspecto.
É importante entender o Brasil “(…)da comida, da mulher, da religião que não precisa de teologia complicada nem de padres estudados. Das leis da amizade e do parentesco, que atuam pelas lágrimas, pelas emoções do dar e do receber, e dentro das sombras acolhedoras das casas e quartos onde vivemos o nosso quotidiano. Dos jogos espertos e vivos da malandragem e do carnaval, onde podemos vadiar sem sermos criminosos e, assim fazendo, experimentamos a sublime marginalidade que tem hora para começar e terminar.“.
Indico a leitura para quem quer aprender um pouco mais da cultura brasileira, mas de uma maneira um pouco menos “tecnicista” do que nas ciências voltadas para a administração. O livro é interessante e de leitura muito fácil.
Baixe o livro aqui!
O que Faz o Brasil, Brasil?
-------------------------------------------------------------------------------------------------

Visão do Paraíso
"Visão do paraíso. Os motivos edênicos no descobrimento e colonização do Brasil" é um livro do historiador brasileiro Sérgio Buarque de Holanda.
Visão do paraíso aborda e analisa os mitos edênicos aos quais recorreram grande parte das das narrativas acerca do descobrimento e colonização da América, escritas entre o final do século XV e o século XVIII.[1] Os motivos edênicos investigados por Sérgio Buarque de Holanda eram representações coletivas nas quais se associava o continente americano ao bíblico Jardim do Éden.
Visão do paraíso é um dos mais significativos e eruditos textos da historiografia brasileira. É um trabalho que se pode classificar como representativo da corrente historiográfica chamada história das mentalidades.
Publicado em 1959, pela Editora José Olympio, o texto originou-se da tese elaborada pelo autor em 1958 no contexto do concurso que o conduzira à cátedra de História da Civilização Brasileira da Universidade de São Paulo.
Baixe o Livro aqui!
Visão do Paraíso
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Assinar:
Comentários (Atom)
